A neurociência tem avançado em descobertas sobre a necessidade de ficar em stand by, ou default mode.

Quase diariamente experimento a sensação de estar ausente deste mundo. Não é como “estar de fora”, pois de certa forma me sinto inserida, é como “estar suspensa”. A velocidade das informações, boas, ruins ou neutras é avassaladora, é impossível realmente estar conectada a tudo e além do mais, é bem cansativo.

Há bem pouco tempo instalei o Instagram em meu celular, na ocasião pedi ajuda a colegas de trabalho, que riram de mim quando perguntei “Então é só ver as fotos? É só isso?”. Parecia obsoleta. Mal sabia que na verdade não era “só isso”. Era uma avalanche de notícias, fotos, pessoas, propagandas, receitas, propostas e tudo quanto é coisa que eu sequer poderia imaginar. Foi a primeira vez que senti o meu armazenamento de dados insuficiente!

Meu trabalho não me permite acessar as redes sociais com frequência ou seguir a vida das pessoas virtualmente, em regra, as pessoas que acompanho no mundo real precisam muito mais do que likes, e isso demanda bastante energia, tempo e, sobretudo, responsabilidade. É preciso estar “logada” no que elas realmente precisam e quando finalmente me vejo no modo offline, não existe mais espaço ou mais memória.

A neurociência tem avançado em descobertas sobre a necessidade de ficar em stand by, ou default mode. Alguns estudos têm mostrado que enquanto estamos alheios às informações, ou absortos em nossos próprios devaneios é que consolidamos a maior parte do armazenamento da memória e das emoções. Mais preocupante ainda, é neste momento em que temos insights, idéias originalmente novas ou mesmo compreensão de vários sentimentos. Neste sentido, pergunto, você se permite estar “temporariamente desligado(a)?

Descansar a mente não é algo simples no mundo atual. A todo tempo enquanto estamos “parados” estamos inserindo alguma informação em nosso cérebro. Olhamos nossas redes sociais, vemos notícias ou mesmo imagens aleatórias de cachorrinhos! Não é surpreendente estarmos sempre cansados e esquecidos.

A queixa da falta de atenção é cada vez mais presente, quando na verdade, é impossível prestar atenção a tudo, ainda mais sem o devido processamento de dados.